Sentimento Nordestino.
Seu moço eu sou nordestino
Nascido lá no sertão,
Adonde a seca castiga,
E açude vira turrão
Se hoje eu vivo na cidade,
É força de precisão.
Desde minino criado
Com pirão de macambira,
Tomano leite de cabra
E iscutano a doce lira,
O cantar da juriti
Sordade que ninguém tira.
Hoje a lembrança é fartura
Dentro de um peito vazio,
Coração sofre calado
Com tudo que já sintiu,
Dos olhos lagrimas rolam
Dos lábios num sai um pio.
Agora já na veice,
Sem forças pra trabaiá,
Uns me ajudam daqui
Outros me acodem de lá,
E arguma coisa me diz
Que nunca mais vou vortar.
Num tem tormento maió,
É uma duença sem cura
E minha maió tristeza,
É saber que dispois de morto,
Meu corpo será enterrado
Numa rasa sipurtura.
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