segunda-feira, 23 de maio de 2016

Por Que a Chuva Não Vem? Faz três anos seu doutor Planto sem ouvir ninguém, Jogo no pó a semente Pois outro jeito não tem; Que sol é esse meu Deus? Por que a chuva não vem? Agua de beber seu moço Aqui só rico é que tem, A criação se acabando No bolso nem um vintém; Que sol é esse meu Deus? Por que a chuva não vem? Já fiz até penitencia Pros santos de lá do além, Rezei dez ave-maria E um padre nosso também; Que sol é esse meu Deus? Por que a chuva não vem? Nós já estamos sem feijão Sem milho para o xerém, Fubá hoje é coisa rara Farinha? Também não tem; Que sol é esse meu Deus? Por que a chuva não vem? Eu não vou fazer mais nada Nem vou rezar pra ninguém, Santaiada do pau oco Nem honra o nome que tem; Que sol é esse meu Deus? Por que a chuva não vem?

sábado, 29 de agosto de 2015

Flagelo

Flagelo. Guel Brasil. E ram muitas almas caminhando ao longo daquela estrada; ouvia-se de longe o lamento de todos eles, numa súplica que entrava no cérebro da gente como uma faca de dois gumes. Quatro deles ao centro daquela multidão de flagelados carregavam um andor; tinha pedras no lugar do santo, e quem puxava a ladainha era um padre da ordem dos Capuchinhos. Todos eles estavam caminhando na direção do açude que a muito tempo estava seco. Era penitência pedindo pra chover, visto que a muito tempo não se via cair uma gota de chuva no agreste desse sertão. Muitos deles estavam levando até seus animais, como quem fosse fazer um sacrifício pedindo chuva. Deixaram o andor no lajedo que circundava o açude, e só viriam busca-lo quando Deus nosso Senhor mandasse chuva. Às vezes a gente até pensa que Deus nosso Senhor não dá muita ligança pra essa gente tão sofrida, e nem dá ouvidos para as suplicas que eles passam o tempo rezando. Os mais velhos e as crianças são os que mais sofrem; estes não podem arredar o pé como retirantes, e ficam a mercê da própria sorte. Os mais novos batem em retirada para outras terras, por lá ficam, e muitos não voltam nem pra buscar a família que deixaram. Os canaviais e as grandes usinas no interior de São Paulo, é o ponto de parada pra muitos deles, que na ilusão de ganharem muito dinheiro, se transformam em escravos do subemprego, nas mãos dos "Gatos", e empreiteiras, e muitos deles morrem de maus tratos e pelo excesso de horas trabalhadas. Os governantes desse país gigante parecem não dar a menor importância, e não procura um meio de conter esse êxodo, nada fazem para fixar o flagelado na sua terra de origem. Mesmo sabendo que a maioria deles, deixaram esposa, filhos, e pais idosos, morrendo aos poucos de fome e de sede no flagelo da seca. Meus pais já se foram, como sou ainda de menor, vou ficando por aqui até Deus mandar bom tempo, ou quem sabe ele mande um pouco de chuva pra aliviar o nosso sofrimento

Luar

Luar. Guel Brasil A lua cheia, banhando no ribeirão, Deixa tão lindo o sertão, Que é difícil descrever; Tudo fica cor de prata, As águas do rio, a imensidão Nenhum luar se compara, Ao luar do meu sertão.

domingo, 11 de setembro de 2011

A GRANDE SECA/FLAGELO.

Cinqüenta e cinco anos depois, e aqui eu estou para relembrar com saudades tudo que aqui passei durante alguns anos da minha infância. Lembro-me que para todos os cantos que ia, mamãe, dona Doralice de Jesus, me levava junto com ela; quando ia lavar roupa, ou buscar água nos barreiros, e particularmente eu gostava mais ainda, quando ela ia lavar roupa no “CALDEIRÃO". O Caldeirão era um grande buraco feito não se sabe por quem, aberto num lajedo enorme que tinha em nossas terras, e que se enchia de água nos anos chuvosos. Era uma água limpa, cristalina, e quando estava cheio, dava pra atravessar o ano. Nos dois extremos da nossa fazenda, tinha um mata-burro e uma porteira; numa delas um nome escrito em português muito "ruim, dava nome às nossas terras: "FASENDA AGUAS DOÇE". Cercas de gravatá cercavam todo o entorno de nossas terras, que segundo meu pai, Rogaciano dos Santos, eram terras documentadas e tituladas. Ali nós vivíamos; éramos oito irmãos: quatro mulheres e quatro homens; Raabe era a mais velha das mulheres, ai vinha Josa, Bigail, e Dora; o mais velho dos homens era Durvalino, depois veio Lourenço, Salustiano e eu; nenhum de nós era registrado, e eu nem sequer tinha nome; me chamavam de Usalvim e até hoje não descobri porque. Aqui, nós estávamos vivendo o ano de l952; no inicio desse ano papai tinha feito uma plantação de milho, feijão-de-corda fava e mandioca, aproveitando as chuvas do mês de março. Mas a molhação foi pouca, e os frutos não deram conforme o esperado. O milho só deu uma tamboeira, o feijão-de-corda e a fava, por serem mais resistentes à seca, deram um pouco mais; dava pra atravessar o ano; a mandioca papai ia colhendo aos poucos, e dela fazia a farinha nossa de cada dia.
Papai tinha preparado novas terras para o plantio, esperando que o ano fosse chuvoso; não veio a tão esperada chuva de verão chuva de Embu como é costumeiro se chamar por aqui. Os barreiros já estavam secando, e a pouca água que tinha, já não servia nem para os animais; as águas do caldeirão também estavam evaporando muito rápido, e era a única fonte de água potável que se tinha por aqui. Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro e nada de chuva; os moradores já estavam fazendo penitencia pedindo pra tudo quanto era santo, que mandasse um pouco de chuva pro nosso sertão. Mas a chuva não veio.
Era o começo do nosso flagelo; já não tínhamos mais mandioca para fazer farinha; mamãe então tirava fubá do milho e fazia pirão pra gente comer com feijão-de-corda; o tempero era o sal quando tinha; quando não tinha, mãe mandava os meninos buscar na salgadeira de Rochael; eu particularmente gostava, o feijão ficava com gosto de carne. A seca tinha começado, e só Deus sabe quanto tempo duraria. Lembro-me que era começo de ano, por que Rabib, o vendedor ambulante aqui chamado de mascate, bateu palmas no nosso terreiro; todos os anos ele passava, e meu pai sempre comprava alguma coisa; esse ano foi diferente, e meu pai não comprou nada; o que fez foi pagar o que estava devendo do ano passado; ele tinha comprado um vestido de chita pra Raabe que estava ficando mocinha, comprou um vestido pra mãe, alpercatas pras outras meninas, e comprou botinas para os meninos; para mim ele não tinha comprado nada; eu era pequeno e com pouco me vestia.
Como não tínhamos dinheiro, papai pagou o velho turco com duas sacas de feijão de corda, que com certeza nos faria falta seis ou sete meses depois. Foi com a passagem do mascate que eu descobri quantos anos tinha, e dai em diante comecei a marcar na parede do quarto com uma pedra de carvão, a passagem do tempo, em dias; em meses papai me ensinou a contar pelas caras da lua; cada lua cheia era um mês. A seca veio pra ficar; os barreiros de nossas terras secaram, secou também a água do caldeirão, e já não tinha mais água para os animais beberem, e nós tínhamos que dividir com eles a nossa água, que a gente trazia de muito longe no lombo dos jumentos. Pouca criação: quatro vaquinhas de leite, dois pares de jumento, e dez cabras; a água que a gente trazia pra casa, nem fervida dava gosto pra se beber; começaram então a surgir doenças como diarréia e febre-tifo; morria gente aos punhados, principalmente crianças e velhos. Nossos vizinhos já estavam se retirando pra outros cantos, sem muita direção, a fim de fugirem do flagelo da seca, muitos deles morreram pelo caminho. Foi ai que meu pai tomou a decisão; __"vamos se embora, antes que a gente morra de fome de sede ou com doença ruim." De flagelados da seca, passamos a ser retirantes.

terça-feira, 8 de março de 2011

CARAIBAS

Caraíbas

As Caraíbas floridas
Deixam suas flores caídas
Nas águas do Araguaia;
Que descem correnteza abaixo
Escavando nas encostas
Enquanto a tarde desmaia.

Suas flores amarelas
Do inicio da primavera
Semelhantes ao ipê,
Vão se deixando levar
Pelo remanso do rio,
Vendo a tardinha morrer.

A garça branca se aninha
No seu canto preferido
Por que a noite está chegando,
E os índios botocudos
Já em volta da fogueira
Estão alegres, cantando.

O sol no ocaso distante
Se mostrando em outras terras
Roubando o dia da gente,
Enquanto a Chalana sobe
As águas do Araguaia
Sem pressa, seguindo em frente.

Vai Chalana, vai.....................

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

QUEM VIVER VERÁ.

Quando as abelhas começarem a morrer uma após outra e longe de suas colméias,

é um péssimo sinal; a raça humana começará a ser dizimada da face do planeta lenta e

paulatinamente. Quem viver verá........................................................