quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

QUEM VIVER VERÁ.

Quando as abelhas começarem a morrer uma após outra e longe de suas colméias,

é um péssimo sinal; a raça humana começará a ser dizimada da face do planeta lenta e

paulatinamente. Quem viver verá........................................................

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

SENTIMENTO NORDESTINO

Sentimento Nordestino.

Seu moço eu sou nordestino
Nascido lá no sertão,
Adonde a seca castiga,
E açude vira turrão
Se hoje eu vivo na cidade,
É força de precisão.

Desde minino criado
Com pirão de macambira,
Tomano leite de cabra
E iscutano a doce lira,
O cantar da juriti
Sordade que ninguém tira.

Hoje a lembrança é fartura
Dentro de um peito vazio,
Coração sofre calado
Com tudo que já sintiu,
Dos olhos lagrimas rolam
Dos lábios num sai um pio.

Agora já na veice,
Sem forças pra trabaiá,
Uns me ajudam daqui
Outros me acodem de lá,
E arguma coisa me diz
Que nunca mais vou vortar.

Num tem tormento maió,
É uma duença sem cura
E minha maió tristeza,
É saber que dispois de morto,
Meu corpo será enterrado
Numa rasa sipurtura.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

UM POUCO SOBRE CORDEL

Um Pouco Sobre Cordel.

Eu estou pouco ligando para a origem do cordel; dizem os estudiosos que de nada sabem, que o cordel foi introduzido no Brasil pelos Portugueses; eu não acredito; já leu algum cor-del escrito por um Português? ....................É caso pra se pensar.
O meu contato com a literatura de cordel foi ainda muito cedo, mas eu já me entendia por gente; agradeço ao meu avô paterno, que mesmo tendo pouca cultura, tinha uma facilidade incrível de memorizar os cordéis e as toadas que ouvia em suas andanças.
Tinha o formato do cordel ou da toada, às vezes tinha começo, mas raramente tinha fim; essa pequena semente ficou plantada em minha mente, a árvore foi crescendo junto comigo e logo comecei com alguns ensaios para a literatura de cordel, com o cuidado de preservar suas raízes, mas também com inovações, transformando em cordel, crônicas da vida mo-derna, com um pouco do tempero nordestino e com o linguajar ritimado que é a origem dessa literatura tão rica, e que está pre-sente no dia a dia do povo nordestino.    

NO CAMPO DE TRIGO

No Campo de Trigo.
                                

                   Tudo em minha mente estava confuso, e eu não  estava  conseguindo  organizar os meus pensamentos; o frio que estava sentindo trazia calafrios ao meu corpo semi-nu, e para todas as direções que eu ia, me deparava com uma situação diferente. Ventava muito forte, e isto fazia com que a sensação de frio fosse ainda maior.
                        Não sei como fui parar ali, e pelo que  pude perceber, não havia outras pessoas, não onde eu as pudesse ver. O sol, parecia uma grande  bola  de fogo se escondendo no horizonte distante, e seus últimos raios se fazia penetrar no grande campo de trigo, dando um ar bucólico  tão lindo, que eu me senti como estando sedado naquele momento.
                        Embora fosse adulto, estava me sentindo como um menino, desprotegido e frágil, temendo ser tragado. Os pés de trigo com suas espigas eram bem maiores que eu, e o turvo da noite estava chegando; o vento, soprando forte, tirava diferentes acordes que mais pareciam lobos uivando ali, bem próximo de onde eu estava.
            Eu  tentei  gritar,  mas  a  minha  voz  ficou embargada na garganta, aumentando ainda mais o meu desconforto e medo. Medo este que aumentava a cada segundo que passava, onde tudo era vasto, e eu já não tinha mais o controle do tempo.
                        Olhei para os céus, morada dos deuses, e tudo estava muito azul; com a chegada da escuridão, comecei a vislumbrar as primeiras estrelas, e a lua que estava se mostrando por inteiro, com seu brilho prateado, mudando a cor deste cenário.
                        Não fui possível eu saber a quanto tempo estava ali; tive fome, tive sede; momento muito ruim pra se pensar em comida e água, momento muito ruim para se pensar em desconforto.
                        Mesmo por que eu estava no seio da terra, que preparava seu fruto para o comer de muitos; mas ali, naquele exato momento, suas tetas estavam secas; e eu pude ver que não era tempo de colheita; amassei moitas de trigo e me deitei sobre elas, ajeitei o meu corpo na posição  fetal,  imaginei estando dentro do útero materno, coloquei  em ordem  todos os meus pensamentos, e acabei dormindo. 
                          Dormindo  dentro do meu próprio sonho.........................................................

APOLOGIA AO AMOR

Apologia Ao Amor.   
Queria tanto ter teu abraço,
Sentir teu calor, sem medir a dor...
Que virá depois;
Sem ira, sem mágoa,
Sem pranto, sem queixas,
E que tudo neste momento
Fôssemos sós nós dois.

Queria tanto prepará-la,
Para sermos três,
Nesse mundo de buscas,
De paixões e dores, sem amor nenhum;
Pois que amor igual ao nosso
Eu nunca senti;
É como fogo que queima sem consumir.                    

E que paixão é essa,
Que faz de velhos meninos,
Que faz de adultos crianças,
Onde o fraco fica forte,
Que nem sente a dor;
Onde a vida vence a morte
Por que vidas trás,
Geradas, nascidas, do fruto desse amor.

E agora? Que me falta te dizer?
Peça que eu te digo,
Se existe algo que ainda não te dei
Peça que te dou;
Se alguma vez eu errei,
Mil vezes te peço perdão;                                              
Mil vezes vou te amar,                                       
De corpo, alma e coração.    

ALGOZ.

Algoz.

Hoje a maldade
Fazendo teia,
Veio acusar-me
Do que eu já fiz;
E eu fiquei preso
Num emaranhado
Buscando um jeito
De ser feliz.
           
                        Ouvindo gritos
Em meus ouvidos
E vendo as sombras
Do meu passado,
Um manto negro
Cobriu minh’alma
E eu chorei triste
Desesperado.

Colhendo os frutos
Que me norteiam
Magoei os outros
Pelo que fiz,
Lembro das dores
Que eles sentiram
Dores sentidas
Que eu nunca quis.

Quando a tristeza
Me Desnorteia
Corro a esconder-me
Por entre as trovas,
Mas ouço gritos
Vindos de longe
E sufocados
Em suas covas.
                       
A luz mortiça
Da vela ardendo
Quase apagando
No véu da noite,
Chispa fagulhas
Soltas ao vento
E ouço os estalos
Do meu acoite.
                                  
                      Vejo que a sorte
                      Me presenteia
                     Com tudo aquilo
                     Que eu tanto quis,
                     Não sinto mágoa
                     De quem me odeia
                     Nesse inferno
                    De idéias vis.
           
As mãos de Deus
Desfaz a trama
E a vida toma
Um novo matiz,
Num fio tão fino
Que a luz prateia
Onde o ser Supremo
É o meu juiz.